Information wants to be free -- because it is now so easy to copy and distribute casually -- and information wants to be expensive -- because in an Information Age, nothing is so valuable as the right information at the right time. --Stewart Brand
O novo sistema de facturação da Via Verde disponibiliza o extracto dos seus utilizadores em formato electrónico. Esta empresa, que é uma história de sucesso nacional, utiliza tecnologia Sybase que disponibiliza aos seus clientes a última factura/recibo, sob a forma de um ficheiro XML, um formato aberto que se presta facilmente à manipulação por variados programas. Foi um colega de trabalho (obrigado Luís) que me mostrou esta nova funcionalidade, tendo tido a oportunidade de ver o seu extracto XML. O dito extracto pode ser acedido através da Área de Clientes, que entre outras coisas permite fazer o tal download.
Com esta funcionalidade, a Via Verde dá mais um passo inovador que muito gostaria que fosse imitado por outros. Porque razão não é possível receber o extracto da conta bancária ou a conta da netcabo em formato XML?
O facto de os bancos só serem obrigados por lei a manter os dados dos movimentos das contas bancárias por um período muito limitado significa que em geral não é possível consultar operações antigas, apesar de ser quase certo que todos os bancos preservam essa informação para uso interno. A única forma de aceder a essa informação é através dos extractos bancários enviados periodicamente pelo banco, mas o facto de essa informação estar em papel dificulta enormemente a utilização de ferramentas mais sofisticadas de análise. Quero que o meu banco "liberte" aquilo que no final de contas são também os meus dados para o domínio digital.
Quem diz bancos diz também contas do telefone, netcabo, gás, electricidade e água, ou informações relativas ao pagamento de impostos e contribuições sociais. Porquê forçar aqueles para quem essa informação é mais relevante a passar manualmente toda essa informação para formato electrónico, quando no mundo moderno todos esses dados nascem, vivem e morrem no domínio digital? Nos dias de hoje, a informação impressa tem um valor vastamente inferior à informação digital, dada a enorme facilidade de processamento automático oferecida por esta última.
Não há qualquer razão para que uma empresa de capitais maioritariamente públicos não disponibilize esta informação aos cidadãos, cujo interesse o estado deve servir. Quanto às empresas privadas, se houver concorrência é natural que o acesso digital se vulgarize a partir do momento em que um dos seus concorrentes ofereça esta opção. Estou convencido de que há muitas áreas em que esta funcionalidade pode servir como factor de atracção ou retenção de clientes.
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